O dia de hoje – quarta-feira, 19 de agosto de 2009 – entra para a história pátria como um dos mais vergonhosos da política brasileira, da estrada sociológica da nossa nação, do nosso povo. Por nove votos a seis, o Conselho de Ética do Senado confirmou o arquivamento [anteriormente determinado por seu Presidente, Senador – suplente do Governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral/PMDB... – Paulo Duque] das onze representações contra o Senador José Sarney/PMDB-MA, por quebra de decoro parlamentar. Os votos do Partido [outrora...] dos Trabalhadores foi decisivo, capitaneado por seu Presidente de Honra e Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, o qual ordenou a Ricardo Berzoini [Presidente do PT nacional], desautorizou Aloísio Mercadante [líder do PT no Senado e que havia liberado a bancada para votar como quisesse, conforme a sua consciência – falar em consciência nos Senadores parece quase uma ironia...] e salvou o agora aliado maranhense.
Por partes. O PT: morreu, decretou sua falência moral, após sete anos de longa agonia comportamental; atualmente, é difícil encontrar alguém realmente ético defendendo com veemência o PT, mesmo em nossos círculos de amizades. Reparemos bem, amigos, a personalidade de quantos conheçamos que pugnam pela primazia do PT: são geralmente pouco democráticos, afeiçoados às políticas de troca de favores, maniqueístas [o bem é o PT, claro...], maquiavélicos [“- É preciso assegurar a governabilidade!”], beirando o cinismo; julgam-se sempre com a razão e torcem a verdade a ângulos improváveis, de modo a assegurar o acerto de seu raciocínio, ao modo dos sofistas gregos, que Sócrates tanto combateu. Aliás, o cinismo com que os senadores petistas defenderam José Sarney é algo de inacreditável, sobretudo se considerarmos que, para tal objetivo, aliaram-se a Fernando Collor de Melo e Renan Calheiros. E tudo isso, sob a orientação e condução do ora espiritualmente falecido metalúrgico que comandou as greves marcantes da história de São Paulo e do Brasil. O sonho do petismo como bastião da ética é findo; e mais: o PT mostrou-se, hoje, para o Brasil e para o mundo, ainda mais detestável, mesquinho e calculista que as demais agremiações políticas nacionais [e eu não me filio a nenhuma, asseguro] o haviam feito, capaz de atitudes canhestras, torpes, vis até, em busca da manutenção não de seu projeto de governo, mas de poder. E dão prova desta derrocada ética: a discordância partida e saída do partido, por parte da então Senadora Heloísa Helena, de Marina Silva, de Flávio Arns... E a conduta de Delcídio Amaral, Ideli Salvatti, Wellington Salgado, Renato Casagrande e Aloísio Mercadante [este pela covardia de não comunicar, publicamente, a pressão exercida por Lula] são, no mínimo, vergonhosas.
E, mediante 12.000.000 de atendidos pelo programa bolsa-família, o “governo Lula” [nunca, antes de hoje – “Nunca antes, na história deste país!” – , a expressão foi tão verdadeira...] segue seu iter dúbio, na condução dos destinos do pais: acerta, em grande parte da macro-economia, mas afoga o país na lama das vilezas políticas, tornando-as lugar comum e introjetando-as [alguém já notou isto?...] no inconsciente coletivo de um povo já carente de balizas de virtude, em seus comandantes. E vai desfilando seu rosário de inverdades e repetindo-as, até se cristalizarem em dogmas, tais como o pagamento da dívida externa brasileira [ocultando a galopada ascendente da dívida pública interna].
Nessa semana que corre, uma ironia do destino: a Senadora Marina Silva aparece adiante de Dilma Roussef, nas opiniões eleitorais populares, com vistas ao pleito presidencial vindouro. Arrisco dizer: se Lula [sim, Lula; no PT é assim: democracia vem de cima para baixo; nem prévias fazem] sentir que Dilma não chega ao segundo turno, usá-la-á como “boi de piranha” para receber críticas até as proximidades do início da campanha real, voltando-se, então e “surpreendentemente”, para Marina Silva, alçando-a à condição de candidata de coalisão da esquerda [posto que, dificilmente, a Senadora Marina Silva recusaria].
Outra parte: José Sarney, em poucas palavras. Apoiou o golpe militar e o governo ditatorial dos generais; recebeu a presidência da república pelas mãos do “Sobrenatual de Almeida” [que roubo, aqui, a Nélson Rodrigues e ao futebol]; fez o que quis com o Maranhão, agraciando-lhe com um IDH risível; mentiu ao Senado e ao país, afirmando - entre outros absurdos - não conhecer um homem de quem foi padrinho de casamento e considerando muito normal pedir [retcius: ordenar] ao então Secretário-geral do Senado, Agaciel Maia, a contratação do namorado de sua neta. Tudo muito normal, tudo ético, segundo o Presidente Lula e o PT... Ah, para não esquecer: Sarney leu Sêneca, no plenário da casa desenhada por Niemeyer.
E o povo brasileiro? Merece tudo isso? Parece-me que sim, pelo menos a auto-denominada classe média, aquela que bate os recordes de tempo de conexão na internet, considera-se a melhor informada, queixa-se de sustentar o país com impostos, mas que não perde uma hora de sua vida pequeno-burguesa investigando a vida dos candidatos em quem pretende votar [para não falar de quem "vota na legenda"...] com uma mera pesquisa google ou acompanhando o desempenho parlamentar dos que ajudou a alocar nos postos políticos. É a esta modorrenta apatia da geração orkut/msn que credito maior responsabilidade [e não, eu não tenho orkut!]. A parcela mais pobre do povo tem, ao menos, a justificativa da ignorância...
Outra parte: O Senado. Parece-me que posso resumir tudo, aqui, pela frase do [também, aparentemente, morto em espírito de ética] Senador Inácio Arruda/PSB-CE: "- Aqui não tem nenhum santo".
Nos dias que correm, o Senado da Roma de Caesar, a cidade eterna, encontra-se em ruínas, entregue aos gatos de rua. A quem ficará entregue o Senado brasileiro?...
Inácio de Freitas - Advogado [OAB/CE 13.376]
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Os representantes do PT no Conselho de Ética - Ideli Salvatti (SC) e Delcídio Amaral (MS), além do próprio João Pedro - seguiram a recomendação e votaram pelo arquivamento das ações, confirmando a decisão tomada anteriormente pelo presidente do conselho, senador Paulo Duque (PMDB-RJ).
O partido, entretanto, estava dividido. O líder no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), havia liberado os parlamentares "para votar de acordo com suas consciências". Eduardo Suplicy (PT-SP), terceiro suplente, chegou a votar contra o requerimento que previa a análise em bloco das denúncias, mas foi substituído pelos titulares em seguida. Mercadante havia anunciado ainda a intenção de avaliar o mérito de cada uma das representações e denúncias, mas o PT também foi favorável à análise em bloco dos recursos a todas elas. Depois da reunião do conselho, o parlamentar disse que "sua vontade verdadeira era sair da liderança" e colocou o cargo à disposição.
Flávio Arns (PT-PR), ao comentar a postura de seu partido no Conselho de Ética, se disse envergonhado de ser filiado ao PT, acrescentando que a legenda "rasgou a página fundamental de sua constituição, que é a ética", ao votar a favor do arquivamento das ações. Ele também criticou a nota de Berzoini. Para Flávio Arns, seu partido "deu as costas para o social, para o povo, para seus princípios".
- Eu me envergonho de estar no PT, com esse direcionamento que o partido está tomando. Quero dizer isso de maneira muito clara para todos os meus eleitores. Houve um equívoco. Quando entrei no partido, achava que bandeiras eram pra valer, não eram de mentira - afirmou o senador, acrescentando que as bandeiras que hoje movem o PT "são bandeiras eleitorais, bandeiras visando a eleição do ano que vem".
A oposição também criticou o posicionamento do PT. Sérgio Guerra (PSDB-PE) afirmou que, ao votar contra a abertura de uma investigação, o PT cometia um "atentado ao direito de democracia, de discussão", e que cercear esse direito é um erro grave. Demóstenes Torres (DEM-GO) declarou que o discurso do PT se diferencia na prática, e que a legenda brinca com a opinião pública, perde sua identidade e muda de posição a toda hora. José Nery (PSOL-PA) afirmou que só a investigação poderia demonstrar se "há culpabilidade ou responsabilidade" nas denúncias, que por enquanto, não passavam disso.
Já Pedro Simon (PMDB-RS) afirmou que este é "um triste dia para o Senado e para Sarney". Ele mencionou ainda a saída da senadora Marina Silva (AC) do PT e declarou que "hoje é o dia em que o PT abraça Sarney e Collor e perde Marina"
Ao defender o PT, o senador Almeida Lima (PMDB-SE) lembrou que todas os partidos tiveram divergências para definir sua posição no Conselho de Ética, e isso não seria diferente entre os petistas.
- Não queiram ser aqui melhor do que os outros - declarou Almeida Lima.
Elina Rodrigues Pozzebom / Agência Senado(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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O senador Flávio Arns (PT-PR)
O senador Flávio Arns (PT-PR) afirmou nesta quarta-feira (19) que vai procurar a Justiça Eleitoral pedindo justa causa para sair do PT. No plenário do Conselho, ele fez duras críticas à postura do partido no Conselho de Ética favorável ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e se disse envergonhado de pertencer à legenda.
Nesta quarta-feira, a senadora Marina Silva (AC), já havia anunciado seu desembarque do PT. Ela deverá ser candidata à Presidência da República pelo PV.
Arns é um dos petistas que defende o afastamento de Sarney da presidência da Casa e a abertura de processo contra ele no Conselho de Ética. Revoltado, ele fez um discurso no plenário do Conselho pedindo desculpas aos eleitores por fazer parte do PT. “Me envergonha estar no Partido dos Trabalhadores com o comportamento que está tendo. Achava que as bandeiras eram para valer e não para mudar por causa da eleição”, disse Arns.
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No Twitter, senador do PT justifica voto pró-Sarney·
Conselho de Ética arquiva representação contra Arthur Virgílio por unanimidade·
Plenário do Conselho de Ética arquiva todas as acusações contra SarneyApós o discurso, o senador disse aos jornalistas que deixará o partido. Ele pretende argumentar na justiça eleitoral que o partido mudou seu programa. Um dos fatos que justificaria seria o apoio a Sarney. Se o pedido for aceito, ele poderá trocar de partido sem o risco de perder o mandato. [fonte: G1]
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Sarney quer 'ocultar' reunião de conselho, diz Simon
Qua, 19 Ago, 01h41
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), no Senado, que é "ridícula" a afirmação do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), de que não pode impedir que a reunião de hoje do colegiado se dê no mesmo horário (14 horas) da sessão do plenário da Casa. Simon afirmou que o episódio demonstra que Sarney não tem mais condições de presidir o Senado e deixa claro que o senador "joga a seu favor" ao agir supostamente para que a reunião do conselho ocorra "de forma oculta", isto é, sem transmissão pela TV - pelo regimento interno, a TV da Casa só transmite a sessão do plenário.
Simon considera "uma das mais importantes da história do Senado" a reunião de hoje do Conselho de Ética, que tomará uma decisão sobre os recursos apresentados pelos governistas contra o arquivamento das ações em que Sarney é acusado de envolvimento em irregularidades e quebra do decoro parlamentar. Simon voltou a defender a renúncia de Sarney do cargo após ouvir do presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Demóstenes Torres (DEM-GO), a informação de que, em telefonema, o presidente da Casa lhe disse que não poderia alterar o horário da reunião do colegiado ou do plenário.
"Indaquei se poderia perguntar ao presidente do Conselho de Ética (senador Paulo Duque, PMDB-RJ) se ele poderia alterar o horário da reunião. Sarney disse que não poderia alterar a coincidência de horários e não teria como interferir nesse caso", contou Demóstenes. Ele acrescentou que Sarney lhe afirmou também que não poderia receber os integrantes da CCJ, porque já tinha um almoço programado.
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